
Lei nº 14.874/2024: Desafios da Implementação para Centros de Pesquisa Clínica e Patrocinadores
A Lei nº 14.874/2024 foi sancionada como um marco para a pesquisa clínica no Brasil, trazendo maior clareza, previsibilidade e segurança para todos os envolvidos. No entanto, a transição do texto legal para a prática apresenta obstáculos que exigem atenção tanto de centros de pesquisa quanto de patrocinadores.
Neste artigo, exploramos os principais desafios operacionais que emergem dessa implementação e apontamos caminhos possíveis para superá-los.
1. Novo fluxo de submissão ética
Com a criação do Sistema Único de Avaliação Ética, os protocolos passam a ser avaliados prioritariamente pelo CEP local, evitando múltiplas camadas de análise.
- Desafio: garantir que os CEPs estejam capacitados e devidamente acreditados.
- Impacto para os centros: necessidade de investir em treinamento contínuo da equipe.
- Impacto para patrocinadores: adaptação dos cronogramas de submissão, já que a agilidade dependerá da robustez local.
2. Adaptação às regulamentações complementares
A lei ainda depende da publicação de normas secundárias pelo Conselho Nacional de Saúde.
- Desafio: lidar com incertezas até a definição completa dos regulamentos.
- Impacto: risco de cronogramas de estudos serem revistos a cada nova atualização normativa.
3. Integração com sistemas digitais
A digitalização de processos é um dos pilares da nova lei.
- Desafio: interoperabilidade entre plataformas institucionais, ANVISA e CEP/CONEP.
- Impacto: centros precisarão investir em infraestrutura de TI e segurança da informação.
4. Novos padrões de transparência
A lei fortalece a necessidade de maior transparência em dados e resultados.
- Desafio: criação de relatórios mais claros, acessíveis e auditáveis.
- Impacto: patrocinadores precisarão revisar suas políticas de publicação de resultados, inclusive negativos.
Conclusão
A Lei nº 14.874/2024 abre espaço para um ambiente regulatório mais ágil e previsível, mas sua implementação dependerá da capacidade de adaptação estratégica de centros de pesquisa e patrocinadores.
Investir em capacitação, digitalização e boas práticas de transparência será fundamental para garantir não apenas a conformidade regulatória, mas também a competitividade internacional do Brasil na condução de estudos clínicos.