O que ninguém te conta sobre o atual momento dos CEPs e a transição da CONEP
Se você atua na pesquisa clínica, sabe que o cenário atual vai muito além dos manuais didáticos. Existe um movimento de bastidores que está impactando diretamente o cronograma dos estudos no Brasil, e precisamos falar abertamente sobre isso: o momento de transição dos CEPs (Comitês de Ética em Pesquisa).
Quem viveu a implementação da Plataforma Brasil em 2011 lembra do transtorno que foi aquela transição. Guardadas as devidas proporções, estamos vivendo algo muito parecido agora. O sentimento nos grupos de pesquisa e nas conversas entre centros é de cautela.
A Sobrecarga dos CEPs Acreditados
O que está acontecendo na prática é que os CEPs acreditados estão absorvendo uma demanda massiva de projetos que, anteriormente, seriam analisados obrigatoriamente pela CONEP. Esse volume é expressivo e traz consigo uma complexidade técnica sem precedentes para os comitês locais.
Muitos desses protocolos envolvem áreas terapêuticas e tecnologias que os CEPs não estavam habituados a avaliar rotineiramente. Isso exige:
- Busca ativa por novos pareceristas ad hoc;
- Consultoria com especialistas específicos;
- Análises éticas muito mais densas e demoradas.
Prazos: A Palavra de Ordem é Imprevisibilidade
Embora o objetivo final do novo modelo seja a redução de prazos, a fase de ajuste é inevitável. Como centro coordenador, temos observado pareceres — nossos e de parceiros — que já ultrapassam a marca de dois meses de espera. Para o patrocinador, que cobra cronogramas rígidos, esse cenário é desafiador.
“Toda casa bonita já passou por uma reforma bagunçada um dia.”
Essa frase resume bem o estágio atual. Estamos no meio da “reforma” do sistema ético brasileiro. A transparência entre centros, pesquisadores e patrocinadores nunca foi tão fundamental. É preciso alinhar expectativas: o sistema está evoluindo, mas o “ajuste de máquinas” gera atrasos pontuais que não podem ser ignorados.
Conclusão: O Caminho é a Transparência
A análise ética responsável não pode ser sacrificada pela pressa, mas o mercado precisa de previsibilidade. Enquanto os CEPs se adaptam a essa nova realidade de fluxo descentralizado, cabe a nós, profissionais da ponta, reportar o cenário real com honestidade.
O novo modelo promete agilidade futura, mas o presente exige resiliência e uma gestão de projetos muito mais estratégica para lidar com a volatilidade dos prazos regulatórios.
E você, como tem sentido o fluxo de aprovações no seu centro? Vamos discutir esse momento nos comentários.


